Brasília,
Home » Destaque » Invasão saudita e a pior crise humanitária no Iêmen desde 1945

Invasão saudita e a pior crise humanitária no Iêmen desde 1945

Publicado por: Redação Irã News
Autor:
Publicada em 28/03/2017 às 08:20
Share Button
arabia Foto:
Neste artigo vamos analisar as razões para a guerra e suas consequências, bem como a situação devastada no país mais pobre do mundo árabe, perante a qual continua em silêncio a comunidade internacional.
Razões para lançar a guerra
Em 25 de março de 2015, a Arábia Saudita, o país mais rico do Médio Oriente, lançou uma grande invasão a um país mais pobres no mundo árabe, o Iêmen. Estão cumplices os Emirados Árabes Unidos (EAU), Catar, Kuwait, Bahrein, Jordânia, Sudão e Marrocos como aliados do regime deRIAD nesta guerra.
Além disso, após a grande ofensiva saudita contra o território iemenita, países como a Turquia, EUA e o regime sionista descreveram-na como legítimo e apoiou a administração de Abd Rabu Mansur Hadi, insistindo na luta contra o movimento popular iemenita Ansarrollah.
Desde o início da operação da CoalizãoARÁBIA CONTRA O Iêmen, esta determinou os seguintes objetivos: restaurar no poder o ex-presidente fugitivo iemenita, Mansur Hadi, opor-se à concessão de qualquer cargo ao ex-presidente, Ali Abdollah Saleh, no futuro político do país, enfraquecer o movimento popular Ansarrollah e conseguir que este depor as armas.
Estes são os objetivos aparentes, mas em realidade, as verdadeiras causas que estão por trás desta invasão podem ser colocadas em três contextos: os níveis locais, regionais e internacionais. Ou seja, a guerra foi realizada para desviar a atenção da opinião pública saudita sobre os problemas internos que enfrenta o país, impedir a propagação do despertar do povo do Iêmen para o território saudita, por causa da preocupação emRIAD pela relação entre residentes xiitas no Iêmen e os seus, impedindo o fortalecimento dos xiitas no Iêmen, lutando contra a influência da República islâmica do Irã em sua vizinhança, intensificar Iranofobia e lutar contra o eixo de resistência e apresentar-se como uma potência regional.
No entanto, ao analisar as consequências e fatos no campo durante a invasão de dois anos, percebemos que este país não alcançou nenhuns dos seus objetivos, mas, pelo contrário,TEM TRAZIDO CONSEQUÊNCIAS negativas para Riad: a crise financeira, a intensificação dos problemas internos, a perda de prestígio militar, aumentando a influência de vários grupos terroristas em suas fronteiras como Daesh e Al-Qaeda, bem como testemunhar os crescentes protestos contra, tanto no Iêmen como em outros países.
Com estes pontos, podemos dizer que os sauditas, que pensavam que dentro de alguns meses poderiam assumir o controle do Iêmen, hoje, qualificam a situação como um evento mundial e começam a pensar em encontrar uma saída digna para isso com a ajuda dos EUA e das Nações Unidas, porque, até agora, a operação somente tem tido efeitos negativos.
O fracasso saudita para atingir seus objetivos tem transformado a invasão em uma guerra de desgaste cujo resultado tem sido a destruição de quase total da infra-estrutura eINSTALAÇÕES VITAIS IEMENITAS. Durante dois anos de ataques constantes, os aeroportos, centros de saúde, escolas, edifícios públicos, estradas, pontes, sistemas de abastecimento de água e eletricidade foram destruídos, especialmente nas áreas onde se encontram os combatentes Ansarrollah. Estima-se que os danos causados no Iêmen são de cerca de 50 bilhões de dólares. Neste contexto, em agosto passado, um relatório conjunto do Banco Mundial, a ONU, o Banco Islâmico de Desenvolvimento e a União Europeia (UE), revela outros dados, e observou que a invasão havia causado danos em torno de US$ 7 bilhões na infra-estrutura e mais de 7 bilhões de setores da economia e produção.
A crise humanitária sem precedente desde 1945
Enquanto a coalizão tinha afirmado que seu objetivo é lutar contra o movimento Ansarrollah e seus aliados, na realidade, são os civis que estão pagando com suas vidas nesta campanha bélica. Crianças, mulheres, jovens e idosas são aqueles que perdem suas vidas por causa dos bombardeios sauditas ou por fome. De fato, o regime deRIAD bloqueou o Iêmen por ar, mar e terra, e não permite a chegada de ajuda aos afetados pela guerra. Durante estes 24 meses de invasão, cerca de 12 mil pessoas foram mortas e dezenas de milhares ficaram feridas. Segundo a ONU, o Iêmen está enfrentando uma das piores crises desde 1945. A este respeito, o chefe de assuntos humanitários da organização, Stephen O’Brien, disse que, atualmente, o país é a cena do “pior crise humanitária do mundo” onde dois terços dos seus 18,8 milhões de população precisa de assistência e mais de 7 milhões “nem tem esperança como e de onde conseguir sua próxima refeição”, recordando os enormes deslocamentos de população devido ao conflito vivido pelo país.
Além disso, as ONGs de HRW (Observatório de Direitos Humanos) e outras entidades jurídicas internacionais, bem como os Médicos Sem Fronteiras, têm chamado à invasão saudita como o pior crime contra a humanidade. No entanto, nestes números assustadores, as Nações Unidas optaram permanecer em silêncio e não pressionar a Arábia Saudita, em troca de suas doações, por isso descaradamente retirou a alegação de que a campanha de bombardeio da Coalizão no Iêmen é a responsável de 60% das mortes de 785 crianças. Isto contradiz o principal papel da ONU; salvaguardar a paz mundial e proteger os direitos humanos.
Com todo a acima exposto deve levantar uma questão importante: a Arábia Saudita está cometendo crimes graças ao dinheiro com o que está subornando organizações internacionais como a ONU, e graças ao silêncio da comunidade internacional. Daí a importância vital e a urgência de dar a conhecer e sensibilizar pela profundidade desses crimes que estão ocorrendo no país árabe, para evitar casos semelhantes em outra parte do mundo.

Comments

comments

ESPORTE

COLUNISTAS

VIDEOS