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Revolução Iraniana, 38 anos resistindo e avançando.

Publicado por: Redação Irã News
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Publicada em 10/02/2017 às 16:52
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“A verdade não precisa apenas ser verdade, mas, também, ser divulgada” (Fidel Castro)
 Beto Almeida
O ano de 1979 foi bastante fértil ao revelar a atuação decisiva e central de religiosos em processos revolucionários, evocando a teologia da libertação, que não é apenas fenômeno latino-americano, muito embora  suas expressões mais evidentes tenham sido a  de  religiosos desta região.  A  Revolução Sandinista , com dois padres na direção revolucionária da Frente Sandinista,  os irmãos Cardenal, Ernesto e Fernando, foi  uma  expressão  nítida  e marcante da  adesão de amplos segmentos religiosos à luta revolucionária.
Mas, neste mesmo ano de 1979, também no Irã, a Revolução Islâmica,  um processo  de participação massiva formidável, dirigido pelo Aiatolá Khomeini e com base nas mesquitas, convocando homens e mulheres,  dava a dimensão de uma novo grau do pensamento e da comprovação histórica  de que entre religião e revolução não havia contradição.
A derrubada da sanguinária ditadura do  Xa Pahlevi, naquele 11 de fevereiro, de início a um amplo curso de transformações econômicas, políticas, sociais, científicas e também na geopolítica da região, que merece atenção dos segmentos progressistas .
A ditadura do Xa Reza Pahlevi  havia sido montada pela Inglaterra e Eua, a partir de um golpe que derrubara, em 1953, o governo nacionalista e democrático de Mohamed Mossadeg,  um patriota que havia nacionalizado o petróleo, despertando a ira do imperialismo. No ano seguinte, o imperialismo também operou para derrubar o governo anti-imperialista e democrático de Getúlio Vargas, com suas nacionalizações e direitos sociais amplos, obra que ,ainda hoje, é alvo de demolição, conduzida pelo representante da República Velha, Michel Temer. E também foi derrubado o governo popular do coronel Jacob Arbenz, na Guatemala, que também havia dado início à reforma agrária, nacionalizado empresas dos EUA e criado leis trabalhistas importantes.

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 Khomeini retoma transformações de Mossadeg
Possivelmente por sua localização geoestratégica  e , também, por sua imensa riqueza petroleira, o Irã teve interrompido, violentamente, naquele ano,  o seu curso de transformações que, tal como o governo de Vargas no Brasil, teria levado o país a um grau de organização estatal, legislativa, econômica, com vasta expansão de direitos sociais e trabalhistas, como aqui ocorreu. Lá, esse curso nacionalista, democrático e anti-imperialista somente foi  retomado em 1979, com a Revolução islâmica,  dotada de enorme conteúdo transformador político, com profundas transformações na estrutura econômica do país, bem como em termos científicos e tecnológicos, em sua capacidade militar e presença em todo o mundo.
Não foram simples manobras políticas as tentativas de derrubar a Revolução que agora completa 38 anos de resistência e de avanços. Primeiramente, o imperialismo e a ditadura, com sua macabra polícia política, a Savak,  cobraram um elevadíssimo número de vidas nas fileiras que lutaram pela libertação do país das garras  do império. Era o Irã tão importante para os EUA que estava em curso, durante o regime do Xá, a implantação de um programa nuclear, como apoio norte-americano,  o que , mais tarde tornou-se motivo de punições, sabotagens e sanções contra a nação persa, por exercer seu legítimo  direito de possuir sua própria tecnologia nuclear. Registre-se que  dezenas de grandes cientistas nucleares  iranianos foram seqüestrados e assassinados em operações encobertas dirigidas por Israel.
 Bloqueio das reservas internacionais do Irã
Mas, logo no início da Revolução dirigida pelos aiatolás, como participação direta das mesquitas e amplo apoio popular, o império decreta, ilegalmente, o bloqueio das reservas iranianas, no valor de 100 bilhões de dólares, depositadas em bancos internacionais, até hoje não devolvidas. E, ato contínuo,  os EUA arma o regime de Sadam Houssein, do Iraque, criando artificialmente uma disputa territorial, para, a partir daí , impulsionar a guerra entre Irã e Iraque . Uma guerra que  durou 8 anos e consumiu grande parte das energias do país, ceifando a vida de uma geração de jovens. O Iraque recebeu todo o apoio dos EUA  naquele período, porém,  mais tarde, Sadam passa de aliado a inimigo norte-americano, sendo usado para justificar o aumento da presença militar do Pentágono no Oriente Médio e para dar apoio a Israel, esmagar o nacionalismo árabe e , tarefa fundamental,  conter o Irã, que, em poucos anos se tornou uma grande potência regional.

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Lições da guerra Irã-Iraque
Nos oito anos da guerra Irã-Iraque , a nação persa, sob direção de Khomeini,  aprende duramente a lição e passa a desenvolver sua própria capacidade de defesa. Apesar das inúmeras agressões sofridas, inclusive militares, mas também as sanções que constantemente o país teve que enfrentar, as econômicas, financeiras, com cerceamentos importantes do sistema de crédito internacional, e  também as tecnológicas, durante a guerra o Irã dá uma virada em seus rumos estratégicos, passando a desenvolver suas próprias capacidades.  Para se ter a medida disto ,  ao regime de Teerã houve até a proibição para a , por exemplo, compra de peças de reposição para sua aviação, além dos vetos sofridos para participar de operações comerciais da indústria do petróleo, agora, totalmente nacionalizada, sem a presença de um só técnico estrangeiro,  quando antes, esta indústria era comandada por técnicos ingleses, que já não estão mais.

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Guerra midiática contra o Irã
Mas, a outra agressão sofrida pelos persas, é a permanente guerra midiática, buscando  criar uma justificativa ocidental para qualquer tipo de agressão aquele país. Chegou ao cúmulo de que um grande jornal dos EUA realizou pesquisa entre seus leitores, indagando se o Pentágono devia ou não lançar ataque nuclear contra o Irã, resultando na macabra estatística de que 72 por cento dos entrevistados eram favoráveis a transformar um outro povo em torresmo, um povo que jamais lançou qualquer agressão contra a grande nação do norte!! Um evidente jornalista de guera…..Ou seja, a operação midiática de instigar ódio contra o Irã e os iranianos é de tal monta que a Revolução Islâmica  teve que caminhar com suas própria pernas, desenvolver sua própria tecnologia, sua indústria de defesa, sua indústria espacial, e, conseguiu, nestes 38 anos, montar um sistema educacional avançado para dar sustentação a tudo isto.
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Hoje, o Irã é um país com analfabetismo praticamente erradicado, com grande presença de mulheres nas universidades e em profissões das áreas tecnológicas estratégicas, possui uma das mais avançadas indústrias de medicamentos do mundo, de tal sorte que entre os 5 remédios mais vendidos do mundo, um é de fabricação iraniana. Possui indústria ferroviária desenvolvida, indústria automobilística de tecnologia nacional e, o mais expressivo, uma tecnologia espacial que lhe permite lançar naves tripuladas ao espaço sideral.

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Ante  a sofisticada guerra midiática contra esta revolução, apresentada como se fora um regime das trevas,  os persas construíram um sistema de comunicação majoritariamente público,  emitindo em vários idiomas, como se pode observar pelo canal internacional de televisão, o Hispantv, que emite em espanhol, possuindo correspondentes praticamente  em todo o mundo, chegando mesmo a incomodar o fluxo informativo controlado pelo império, pois o canal de TV iraniano foi cortado do satélite europeu, revelando, obviamente, como é hipócrita o discurso do Ocidente sobre liberdade de imprensa. Também tem sido difícil aos que controlam o circuito informativo, evitar que o talentoso  cinema persa, basicamente estatal, encontre admiradores, e prêmios,  em todo o mundo, especialmente em segmentos sensíveis ao cinema artístico e humanista, não àquela produção em série de Hollywood , combinando, predominantemente,  armas, guerra, drogas e inteligência zero.Resultado de imagem para irã, russia e siriaIrã, Rússia e Síria
A capacidade da tecnologia militar iraniana já havia sido emblematicamente revelada naquele episódio em que umdrone dos EUA ao invés de ser  abatido, foi  controlado pelos avançados sistemas tecnológicos  de defesa do Irã, que o fez pousar em instalação militar persa, sendo desmontado e estudado pelos cientistas persas. Episódio constrangedor para a arrogância extrema de Barack Obomba, pois teve que solicitar que o drone fosse devolvido, ao que os iranianos exigiram, antes,  um pedido de desculpas pela violação do espaço aéreo do Irã,   tendo faltado estatura moral ao  imerecido detentor do Prêmio Nobel da Guerra para sujeitar-se a tal  humilhação.
E a nova humilhação veio quando o ex-Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, declarou , como está em gravação divulgada pelo Wikiliks, “Obama apoiava o Estado Islâmico na Síria na esperança de que isso ajudasse na derrubada do Assad, mas aí a Rússia entrou no jogo e mudou toda a equação”. Deve-se acrescentar, que o Irã também faz parte desta equação, não apenas como apoio militar direto, com armamentos, com suprimentos, inclusive com treinamento de tropas do Hezbollah, mas também com a cessão de  aeroportos e espaço aéreo para uso  coordenado e autorizado dos militares russos, o que está sendo decisivo para que o Exército Sírio derrote o terrorismo terceirizado pelos EUA, Inglaterra, Arábia, Israel e Turquia.
A aproximação entre Irã e Síria  –  aliás, o país de Assad, já havia apoiado o Irã quando Sadam lançou guerra contra Teerã em 1980, e denunciou manipulação dos EUA  –    a cada vez maior integração  entre Irã e Rússia, bem como as operações comerciais cada vez mais amplas entre Irã, Rússia e China, conformam uma frente anti-imperialista de importância  contundente, percorrendo os campos econômico, diplomático, político e também militar, como se comprova agora na defesa da soberania síria.
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Iranianos comemoram o aniversario da revolução islâmica com um cartaz caricatura de Donald Trump presidente dos EUA

Lições
O  discurso recente de  Hasan Rohani, presidente iraniano, eleito pelo voto popular, relembra que o Irã jamais se intimidou com ameaças, sempre lançadas contra o seu país, sempre acompanhadas de ações de sabotagens, e , até mesmo de agressões militares,como  quando um comando militar dos EUA , então presidido por Jimmy Carter, foi descoberto e derrubado ao invadir o país pelo deserto, pretendendo  chegar a Teerã. Foi, aquela, uma importante vitória da Revolução Islâmica, como tantas.

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A Revolução Iraniana oferece muitas lições aos povos do mundo, além  demonstrar a intensa capacidade transformadora da teologia da libertação, em sua versão asiática, mas com grandes desdobramentos universais. O Irã é hoje grande parceiro estratégico da Venezuela, do Equador, da Bolívia. Superou seus agudos indicadores de miséria para tornar-se uma nação culta.  Com a legitimidade de possuir sempre,  governos eleitos pelo voto popular   –  o que não ocorria na ditadura do Xá  e não ocorre na Arábia Saudita , aliada do “democrático” EUA      –    o Irã edificou sua indústria petroleira totalmente estatal, sua própria indústria militar de defesa    –  e nunca agrediu nenhum país   –  e possui presença qualificada  no seleto clube da corrida espacial, freqüentado apenas por poucos e poderosos países com desenvolvimento tecnológico para tal. Soube organizar um sistema de comunicação para  disputar o direito de apresentar sua própria imagem ,  na mídia, no cinema e na diplomacia, exercendo com vigor um protagonismo que soube conquistar e construir, a partir de seus próprios esforços. Em 38 anos de Revolução, o Irã não pode mais ser ignorado, nem pelos sinistros países imperialistas e seus coadjuvantes, como Israel, muito menos pelas forças progressistas de todo mundo, que aprenderam a respeitar e ter na nação persa, uma importante  fator da luta anti-imperialista internacional.
Beto Almeida

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